Relatório anual destaca avanço da conectividade, fortalecimento territorial e ampliação do acesso à saúde, educação e energia em comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas
A Rede Conexão Povos da Floresta encerrou 2025 consolidando sua atuação como uma das principais iniciativas de conectividade e articulação comunitária da Amazônia. Os dados do recém-lançado Relatório Anual 2025 mostram a expansão da Rede em territórios indígenas, extrativistas e quilombolas, ampliando o acesso à comunicação, saúde, educação e energia em regiões historicamente afastadas da infraestrutura digital.
Ao longo do ano, a Rede alcançou 2.106 comunidades em 251 municípios dos nove estados da Amazônia Legal. Atualmente, a plataforma soma 56.648 usuários cadastrados, com impacto estimado em mais de 169 mil pessoas beneficiadas pelas ações desenvolvidas nos territórios. A articulação reúne ainda 56 organizações membros e 141 comunidades associadas.
Saúde, educação e acesso à energia avançam em territórios conectados pela Rede

Crédito: Comunicação Rede Conexão Povos da Floresta
Na área da saúde, 568 comunidades passaram a utilizar o Conexão Saúde, sistema de telessaúde gratuito, que acumulou mais de 3.121 atendimentos registrados desde a implementação do sistema.
O eixo de políticas públicas também ganhou força em 2025, com a realização do 2º Encontro da Rede Conexão, que reuniu mais de 200 lideranças da Amazônia para debater estratégias de fortalecimento territorial, comunicação e garantia de direitos. O fortalecimento institucional da Rede também avançou com a cooperação ativa de seis instituições federais.
Na área de formação e inclusão digital, a formação Sabedoria Digital capacitou 724 facilitadores comunitários, ampliando a autonomia tecnológica nas comunidades conectadas. A Rede também inaugurou um novo Centro de Empoderamento Digital e iniciou a turma piloto da formação de Agentes Comunitários de Energia, com 32 participantes.
Outro destaque do ano foi a instalação de 339 kits de energia em comunidades atendidas pela Rede Conexão Povos da Floresta, ampliando as condições de acesso à conectividade e aos serviços essenciais nos territórios.
Conectividade fortalece governança indígena e proteção territorial

Crédito: Nathalie Brasil
A expansão da conectividade em territórios indígenas teve papel estratégico ao longo de 2025. Somente neste ano, 254 comunidades e aldeias indígenas passaram a integrar a Rede Conexão Povos da Floresta.
Para Toya Manchineri, coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), a conectividade vem fortalecendo a organização política e a autonomia dos povos indígenas.
“A conectividade tem impulsionado o monitoramento e a vigilância territorial em tempo real, fortalecendo estratégias de proteção e incidência política a partir dos próprios territórios. ”, afirma.
Segundo ele, o acesso à comunicação também tem ampliado as estratégias de monitoramento e vigilância territorial em tempo real, fortalecendo ações de proteção conduzidas pelas próprias comunidades.
Comunicação popular ganha força entre populações extrativistas
Entre as populações extrativistas organizadas pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), a conectividade tem fortalecido a comunicação popular e ampliado a circulação de narrativas produzidas pelas próprias comunidades.
De acordo com Joaquim Belo, secretário de Formação e Comunicação do CNS, o acesso à internet tornou-se parte fundamental da defesa dos territórios e dos modos de vida tradicionais.
“Ao permitir que as próprias comunidades produzam e compartilhem suas narrativas, a Rede fortalece a autonomia, rompe com mediações externas e impulsiona uma rede de comunicadores populares, especialmente jovens, que ampliam a circulação de informações e o sentimento de pertencimento entre os territórios”, destaca.
Quilombos ampliam acesso à saúde, formação e geração de renda

Crédito: Arquivo do território Guajará-Mirim (Pará)
Nas comunidades quilombolas articuladas pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), os impactos da conectividade aparecem diretamente no cotidiano das famílias, especialmente em territórios mais isolados.
Segundo José Carlos Galiza, a expansão da Rede tem ampliado o acesso a serviços básicos e criado novas oportunidades para as comunidades.
“A conectividade amplia o acesso à saúde, à formação à distância e fortalece as economias locais, ao criar novas possibilidades de comercialização e acesso a mercados. Com isso, cresce o engajamento das comunidades, consolidando a Rede como um espaço de troca, aprendizado e construção coletiva”, afirma.
Perspectiva para 2026 é ampliar a conectividade e reduzir desertos digitais
Com presença consolidada nos nove estados da Amazônia Legal, a Rede Conexão Povos da Floresta projeta ampliar sua atuação nos próximos anos, expandindo o número de comunidades conectadas, fortalecendo a formação de lideranças e comunicadores comunitários e avançando no enfrentamento aos desertos digitais na Amazônia.
A proposta é consolidar a conectividade como um direito coletivo e uma ferramenta estratégica para a defesa da vida, dos territórios e da autonomia dos povos da floresta.
Até o final da década, a Rede Conexão Povos da Floresta quer viabilizar a inclusão digital e acesso a políticas públicas para 1 milhão de pessoas em 9 mil comunidades, começando pela Amazônia e avançando para outras regiões em isolamento digital.
Sobre a Rede Conexão Povos da Floresta
A Rede Conexão Povos da Floresta é uma iniciativa que tem como objetivo viabilizar, até o final da década, a inclusão digital e o acesso a políticas públicas para 1 milhão de pessoas em 9 mil comunidades, começando pela Amazônia e avançando para outras regiões em isolamento digital.
Liderada por CONAQ, COIAB e CNS, a iniciativa reúne mais de 50 organizações parceiras e atua com base em três pilares: infraestrutura, controle comunitário e inclusão digital com empoderamento. A proposta é garantir que a conectividade vá além do acesso à internet, tornando-se uma ferramenta de transformação social, promoção de direitos e conservação da floresta.
