A Rede Conexão Povos da Floresta firmou, no último dia 26/12, um Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) para fortalecer o acesso à cidadania digital de povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e extrativistas que vivem em territórios protegidos da Amazônia Legal.
O Acordo de Cooperação Técnica nº 23/2025 foi celebrado por meio do Instituto Conexão Povos da Floresta (ICPF) e estabelece uma parceria para realizar escutas comunitárias, avaliar a experiência de uso dos serviços digitais do governo federal, promover formação e apoiar estudos em tecnologia e comunicação, com foco nas realidades locais dos povos da floresta. A publicação oficial do acordo está disponível no portal do MGI.
A iniciativa faz parte de um esforço conjunto para incluir comunidades tradicionais na transformação digital, garantindo que ferramentas como a plataforma GOV.BR respondam às necessidades concretas dessas populações. O foco da cooperação é escutar as comunidades sobre suas experiências e desafios com ferramentas digitais, fortalecer lideranças locais e incorporar essas vivências no desenho de serviços públicos digitais, gerar diagnósticos e recomendações para melhorar políticas públicas de governo digital e promover formação e capacitação em cidadania digital, acesso seguro à internet e uso de serviços públicos online.
De acordo com o secretário de Governo Digital do MGI, Rogério Mascarenhas, a cooperação reforça o compromisso de uma transformação digital inclusiva. “Nosso objetivo é levar as facilidades de um governo digital para todas as pessoas, sem deixar ninguém para trás. Com essa parceria, esperamos ampliar o acesso à cidadania digital na Amazônia Legal, escutando e formando pessoas e compreendendo como os serviços digitais são utilizados nesses territórios”, afirmou.
A parceria também prevê o fortalecimento de lideranças locais e a identificação de oportunidades para o desenvolvimento de soluções digitais mais adequadas às realidades amazônicas. A partir dos diagnósticos produzidos, a cooperação deverá subsidiar futuras decisões e melhorias nas políticas públicas de governo digital.
Para Tasso Azevedo, presidente do Conselho Deliberativo da Rede Conexão Povos da Floresta, o acordo representa um avanço na promoção da conectividade significativa e na aproximação do poder público com comunidades que vivem e protegem a floresta. “Essa parceria com a Secretaria de Governo Digital tem o potencial de amplificar as vozes dos povos da floresta, integrando políticas públicas, cidadania digital e segurança da informação para comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas”, destaca.
As ações de escuta, pesquisa e testes de uso previstas no plano de trabalho serão conduzidas pela Secretaria de Governo Digital, com execução do Laboratório de Qualidade dos Serviços Públicos (LabQ), iniciativa criada em 2023 com o objetivo de tornar os serviços públicos mais simples, acessíveis e centrados nas necessidades da população.
Sobre a Rede Conexão Povos da Floresta
A Rede Conexão Povos da Floresta é uma iniciativa conjunta que tem como missão conectar em rede, de forma rápida, segura e consciente, as comunidades dos povos da floresta no Brasil. A ideia é que a conectividade significativa seja um caminho para ampliar o acesso a direitos e políticas públicas nas comunidades beneficiadas. Atualmente, até janeiro de 2026, mais de 2 mil comunidades em áreas protegidas da Amazônia Legal já foram conectadas pelo projeto.
O projeto é liderado pelas organizações de base Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), em parceria com mais de 50 organizações da sociedade civil, instituições e empresas.
A Rede Conexão atua com base em três pilares centrais – infraestrutura, controle comunitário e inclusão digital consciente -, de modo que a internet funcione como uma ferramenta de transformação social para as comunidades beneficiadas, permitindo o acesso à saúde, educação e oportunidades profissionais e, com isso, ajudando na conservação da floresta e no uso consciente da rede.

